Incêndios deixam 36 dos 62 municípios do Amazonas em emergência, e fumaça suspende aulas em Manaus

Os incêndios florestais colocaram 36 dos 62 municípios do Amazonas em situação de emergência, mais da metade do estado. A fumaça manteve suspensas, nesta terça-feira (13), as aulas da rede municipal de Manaus e as do ensino estadual na capital, segundo o g1. A capital registrou a pior qualidade do ar do Brasil, de acordo com a plataforma internacional IQAir, mesmo após chuva na madrugada.
O reconhecimento da emergência foi oficializado no sábado (10) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A medida permite a atuação integrada das forças de resposta e o repasse de recursos federais. O ministro Waldez Góes disse que há duas frentes: apagar o fogo e assistir quem já precisa de ajuda humanitária e médica.
No domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas críticas, como Autazes. Ele classificou a situação como "mais grave do que eu imaginava" ao encontrar focos dentro de floresta preservada. Capobianco afirmou que o cenário indica ação humana intencional e alertou para o uso do fogo para degradar a floresta e preparar áreas para desmatamento ilegal. "É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. Ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região", declarou.
A investigação já tem os primeiros desdobramentos. Em Itacoatiara, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente identificou oito suspeitos de provocar queimadas na zona rural. Os casos seguiram para a Polícia Civil e o Ministério Público do Amazonas. O g1 procurou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Segurança Pública para saber se a Polícia Militar atua contra os incêndios criminosos, mas não obteve retorno até a publicação.
A resposta federal reúne 11 aeronaves e 290 brigadistas do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Força Nacional. São seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira, três helicópteros e um avião Caravan. O KC-390 pode lançar até 12 mil litros de água por voo, e aviões do Ibama já despejaram mais de 10 mil litros na Região Metropolitana de Manaus. O governo de São Paulo enviou 30 especialistas, entre bombeiros e agentes da Defesa Civil, com drones e 11 mil litros de retardante de chamas.
A fumaça já pesa na saúde. A Secretaria de Estado de Saúde registrou 82 atendimentos de urgência por problemas respiratórios atribuídos à fumaça em Manaus entre 1º e 8 de outubro. Moradores relatam irritação na garganta, congestão nasal, dor de cabeça e dificuldade para dormir. Na segunda-feira (12), o governo federal passou a enviar alertas de emergência pelo WhatsApp, com orientações sobre máscaras, vedação de imóveis e hidratação.
Os números do ar ajudam a medir a gravidade. Na sexta-feira (9), o Índice de Qualidade do Ar chegou a 366, classificado como "perigoso" pela IQAir, com 258,2 microgramas de partículas finas por metro cúbico. O sistema Selva, da Universidade do Estado do Amazonas, registrou pico de 337 microgramas por metro cúbico na noite de quinta-feira (8). Nesta terça, o índice marcava 92, nível "moderado", por volta das 5h30, mas a cidade seguia entre as mais poluídas do país. A CNN Brasil contabiliza o sexto dia seguido de qualidade "péssima".
A estiagem ligada às queimadas também atinge a economia. Em Itacoatiara, o fogo destruiu 256,71 hectares de vegetação na comunidade do Jacarezinho, área equivalente a cerca de 360 campos de futebol. Em Parintins, a perda de lavouras causou desabastecimento de produtos agrícolas e aumento de até 100% no preço de derivados da mandioca, como a farinha. Autazes concentrou 139 focos nas últimas 72 horas, 19,1% dos registros do estado no período.
As medidas de proteção seguem a Nota Técnica Conjunta nº 22/2026, da Secretaria de Estado de Saúde e da Fundação de Vigilância em Saúde. O documento recomenda reduzir a exposição à fumaça, suspender atividades ao ar livre e manter ambientes fechados. A Federação Amazonense de Futebol suspendeu por tempo indeterminado as competições de base na segunda-feira (12). A Seduc suspendeu as aulas nos três turnos nas escolas estaduais da capital, e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) fez o mesmo no Campus Manaus Centro.
A previsão é que o cargueiro da FAB faça mais três voos nesta terça: um na região de Parintins e dois em Itacoatiara. O plano prevê ainda uma base de apoio às operações aéreas em Itacoatiara. Não há, até o momento, previsão oficial de retomada das aulas na rede municipal de Manaus.